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QUANDO A IA VALIDA DO DELÍRIO

  • Foto do escritor: QUADRA
    QUADRA
  • 9 de abr.
  • 1 min de leitura

A discussão já não é mais se a IA entrou na saúde mental. Ela já entrou. A questão agora é como ela participa da organização do sofrimento psíquico e, em alguns casos, do enfraquecimento do teste de realidade.


Estudos recentes sugerem que, em pessoas mais vulneráveis, chatbots generalistas podem não funcionar como contenção, mas como espelho que confirma, amplia e acompanha convicções delirantes. O ponto aqui exige precisão: não se trata de dizer, de forma simplista, que “a IA causa psicose”.


Na prática clínica, isso talvez nos obrigue a incluir novas perguntas na escuta: o paciente recorre à IA para falar do sofrimento? Usa o chatbot como regulador emocional? Sente-se mais compreendido por ele do que por pessoas reais?


Tecnologia sem enquadramento clínico não é cuidado. E, em psiquiatria e psicoterapia, toda ferramenta que entra no campo do vínculo também entra no campo do risco.


Você acha que a IA pode ajudar no cuidado em saúde mental ou, em alguns casos, acabar reforçando ainda mais o sofrimento psíquico?


Referências:


BUCK, Benjamin; MAHEUX, Anne Julia. Psychosis Risk and Generative Artificial Intelligence Use Frequency, Motivations, and Delusion-Like Experiences: Cross-Sectional Survey Study. Journal of Medical Internet Research, v. 28, e85038, 5 mar. 2026. DOI: 10.2196/85038.


MORRIN, Hamilton et al. Artificial intelligence-associated delusions and large language models: risks, mechanisms of delusion co-creation, and safeguarding strategies. The Lancet Psychiatry, 5 mar. 2026. DOI: 10.1016/S2215-0366(25)00396-7.


GIRGIS, Ragy. What is AI Psychosis? A Conversation on Chatbots and Mental Health. National Academy of Medicine, 10 mar. 2026. Disponível em: nam.edu/news-and-insights/what-is-ai-psychosis/. Acesso em: 20 mar. 2026.

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